Análise semanal do quadro oficial de informação sobre o Covid-19 (Semana 24—07 a 13 de Junho)

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Folheto semanal 24 Covid-19 Folheto semanal 24 Covid-19

Os órgãos públicos e privados de comunicação social têm garantido, em seguimento do estipulado no Decreto do Estado de informação sobre o COVID-19. Contudo há necessidade de se avaliar o que é informado à nação sobre o Covid-19, tendo como pano de fundo a Lei.  Esta análise é feita usando o modelo SWOT, de forma a poder identificar os pontos fortes e fracos da comunicação do governo, bem como as oportunidades e ameaças a tomar em consideração na implementação da estratégia de combate à pandemia do Covid-19.

Pontos Fortes

A julgar pelo teor das notícias da semana que foi de 07 a 13 de Junho, pôde-se constatar que existe um grande alinhamento sociopolítico na luta contra o Covid-19.  As accões de voluntariado social e actividades de sensibilização no combate à pandemia  tem tido um grande destaque nas notícias, mostrando a sociedade no geral se engaja no apoio aos esforços do Governo em combater a pandemia.

Encontramos 60 menções de acontecimentos reportados que estão ligados a voluntariado, sensibilização, e cobertura dos media  (Artigos 30, 36, e 38), contra 51 menções a eventos relacionados com 7 artigos (artigos 3, 5, 7 18, 22, 34, 39),  e outras 22 menções a artigos diversos.

Pode-se verificar também que os órgãos de comunicação social jogam um papel muito importante no combate à pandemia, reservando espaço na sua grelha e tendo também reportado continuamente sobre as várias acões do Governo, parceiros e da sociedade civil.

Pode-se constatar que no país tem havido um grande empenho na sensibilização e educação cívico-sanitária sobre o Covid-19.;

Parece existir cada vez maior aderência aos limites máximos de passageiros e que pode ser um sinal de que a fiscalização pelos agentes da lei e ordem está a surtir os efeitos desejados.

Análise semanal do quadro oficial de informação sobre o Covid-19 (Semana 24)

O CEDE tem recolhido desde 28 de Abril notícias sobre o Covid-19 nos órgãos de informação nacionais de forma a subsidiar a comunidade política, acadêmica e cívica nas análises sobre como o Covid-19 é construído no espaço de deliberação democrática nacional. No caso de Moçambique, os media são neste contexto do Covid-19 e o concomitante Estado de Emergência, elementos importantes da estratégia governamental de combate ao vírus. O ponto 1 do Artigo 30 do decreto número 26/2020 de 8 de Maio que revoga o decreto 12/2020, o Governo estipula que “Os órgãos de comunicação social, públicos e privados, mantêm-se em funcionamento devendo, no interesse público, colaborar com as autoridades competentes”.

Neste sentido, podemos com segurança assumir que os pronunciamentos públicos sobre o vírus feitos através dos órgãos de informação se constituem em indicadores do pensamento do governo, e que a forma como essa comunicação evoluiu indica o grau em que o Governo capta as reações e preocupações sociais em relação à sua abordagem sobre a pandemia do Covid-19. Os resumos semanais fornecem assim, uma análise do que o Governo achou relevante informar sobre o Covid-19 durante a semana, e também a forma como essa informação pesa sobre determinantes importantes da acção política na pandemia: entre promoção e desenvolvimento de novas formas de ser e estar com vista a evitar futuras pandemias até à mera repressão de comportamentos desviantes à actual pandemia.

Pontos Fracos

Fraca discussão sobre a abrangência dos órgãos de informação e dos conteúdos informativos;

Insuficiente discussão sobre metodologias de testagem e padrões sociogeográficos  de  transmissão;

Falta de clareza em relação à administração da quarentena domiciliária parece contribuir  para um cepticismo social sobre o grau de cumprimento e logo, de eficácia desta medida.

A acção comunicativa do governo é extremamente restrita a uns poucos artigos da lei. e pode estar a privar o cidadão da  possibilidade galvanizar apoios em outras áreas cruciais.

Potencialidades e Ameaças

As instituições de fiscalização a vários níveis (PRM, INAE, municípios, e outras) demonstraram uma grande capacidade exercer com o seu mandato no âmbito do decreto;

É preciso desfazer o mito de transmissões comunitárias puramente domésticas e aceitar a porosidade transfronteiriça e a dependência econmómica em relação à África do Sul como factores que exigem soluções regionais.

Sugestões

É preciso que o Chefe de Estado clarifique que à nação que um Estado de Emergência é uma condição político, jurídico e legal de exercício do poder político, e não necessariamente uma condição material de existência que devia ter resultados materiais tanto no Covid-19 como nas suas vidas;

Os Municípios devem reforçar a ligação entre as medidas tomadas e os diferentes padrões de contaminação no âmbito do Covid-19, de forma a se evitar a percepção de oportunismo urbanístico e de segregação social.

É preciso que o governo reforce as medidas já em curso de vigilância e controlo de movimentação de pessoas e bens (por exemplo como foi reportado sobre Tete ao nível dos distritos fronteiriços).

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